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Artigo de MEDICINA

Transtornos Alimentares

TRANSTORNOS ALIMENTARES: QUANDO COMER SE TORNA UMA DOENÇA

Muitos de nós abusamos da ingesta alimentar de tempos em tempos e muitas pessoas geralmente sentem que comeram mais do que deveriam. Comer muito nem sempre significa que a pessoa tem um transtorno alimentar. Tais transtornos caracterizam-se por graves perturbações no comportamento alimentar.

Anorexia Nervosa (AN), Bulimia Nervosa (BN) e Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) são hoje as principais doenças alimentares.

Anorexia Nervosa

A característica central da anorexia nervosa é o desejo exagerado de ser magro e a convicção associada de que o próprio corpo está gordo, recusando-se a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura (i.e., manter o peso em uma faixa mínima de 85% do esperado).

É uma síndrome que afeta, em sua grande maioria, mulheres adolescentes (idade média de 17 anos, em uma variação usual dos 12 aos 25 anos), é incomum no sexo masculino e em mulheres acima dos 40 anos, porém em 5% dos casos, acontece após os 25 anos de idade.

Na evolução do quadro vão surgindo outros sintomas como: amenorréia, perda do interesse sexual, comportamento obsessivo referindo-se à questão alimentar (preparos metódicos dos pratos, coleções de receitas, lista de alimentos proibidos) e distorção de imagem corporal. A pessoa não tem crítica sobre sua situação e todos que lhe dizem o contrário, são interpretadas como estando erradas ou querendo enganá-la para que fique gorda.

Seu aparecimento geralmente ocorre após algum evento estressante de vida e muitas delas se propõem a um programa de emagrecimento, inicialmente com dieta (seguida muitas vezes de abuso de laxantes e/ou diuréticos) associada a um aumento acentuado da atividade física.

Bulimia Nervosa

O quadro clínico da BN se expressa basicamente por uma ingesta alimentar compulsiva, exagerada e rápida (uma grande quantidade de comida considerada pela maioria das pessoas como não sendo ‘normal’), que ocorre em um curto período de tempo (em torno de 10 a 20 minutos) e muitas vezes sem distinção entre os alimentos (tal situação é chamada de episódio bulímico). É comum nestes episódios bulímicos ocorrer uma mistura de doce com salgado, frio e quente, com preferência geralmente por alimentos pastosos e ricos em carbohidratos, como sorvete, leite condensado, mel, etc. Tais pacientes apresentam um medo mórbido de engordar, precisando a todo custo evitar o ganho de peso. Para tanto, utilizam métodos purgativos e gastos energéticos acentuados, como exercícios físicos diários de, no mínimo, uma hora/dia. Algo em torno de 20% dos pacientes bulímicos desenvolvem controle voluntário do reflexo do vômito, não sendo mais necessário forçá-lo.

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

O TCAP é provavelmente o mais comum dos transtornos alimentares. As pessoas com esse problema são, na maioria, pacientes de sobrepeso ou obesos.

De 10 a 15% das pessoas obesas e que tentam perder peso por conta própria, isto é, sem orientação profissional ou através de programas “comerciais” para perda de peso, têm TCAP. Este transtorno é muito mais comum em pacientes com obesidade mórbida (IMC . 40).

Pessoas que são obesas e têm TCC comumente começam a ganhar peso na adolescência, diferente de outros obesos sem o transtorno. Geralmente ficam na dieta “io-iô” ou “sanfona”, ganhando e perdendo peso com muita freqüência.

Não se conhece ao certo qual a causa deste transtorno. Mais que a metade de todos os pacientes com TCAP apresentaram um quadro depressivo anteriormente. Muitas pessoas que são comedoras compulsivas dizem que sentem-se entristecidas, entediadas ou com raiva por não ter o controle sobre a ingesta.

Especialistas concordam que pessoas com transtorno do comer compulsivo geralmente

  • sentem-se sem controle sobre a ingesta
  • comem muito mais e mais rápido do que a maioria das pessoas consideraria "normal"
  • sentem-se desconfortáveis, deprimidos e/ou culpados pós-ingesta
  • comem uma grande quantidade de comida mesmo quando não estão com fome

Os pacientes com transtornos alimentares acabam por serem mais “frágeis” clínica e emocionalmente que os demais, muito provavelmente para o resto de sua vidas.

Autor(a): Drª. Fabiana Braga De Conti - CRM 11493 - 30/08/2012

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